Endocrinologista Online
Tratamentos

Novos medicamentos para tratar obesidade: o que há de novo e como funcionam

GLP-1, ação dupla e novas formulações: entenda os avanços no tratamento farmacológico da obesidade.


O tratamento da obesidade mudou significativamente nos últimos anos. Uma melhor compreensão dos mecanismos que regulam a fome, a saciedade e o metabolismo permitiu desenvolver medicamentos mais eficazes. Eles não substituem os cuidados com a alimentação, a atividade física, o sono e a saúde mental, mas podem integrar um plano terapêutico de longo prazo quando existe indicação.

Como funcionam os medicamentos baseados em GLP-1?

O GLP-1 é uma hormona produzida no intestino após as refeições. Atua no cérebro, aumentando a saciedade e reduzindo a fome e a ingestão alimentar. Também estimula a libertação de insulina quando a glicose está elevada e torna o esvaziamento do estômago mais lento, sobretudo no início do tratamento.

A liraglutida e a semaglutida imitam a ação do GLP-1. A liraglutida é administrada diariamente, enquanto algumas formulações de semaglutida são semanais. A semaglutida foi inicialmente utilizada no tratamento da diabetes tipo 2 e tem formulações e doses específicas aprovadas para o controlo do peso. Produtos destinados à diabetes não devem ser considerados automaticamente equivalentes aos aprovados para a obesidade.

O que mudou com a ação dupla?

A tirzepatida atua em dois recetores hormonais, GIP e GLP-1. Esta ação dupla reforça os sinais de saciedade e os efeitos metabólicos, tendo proporcionado reduções de peso superiores às alcançadas por medicamentos mais antigos em ensaios clínicos. Como acontece com qualquer tratamento, a resposta varia entre pessoas e deve ser avaliada também pela melhoria da saúde e das doenças associadas, não apenas pelo número na balança.

O que há de novo?

As principais novidades são medicamentos com maior eficácia, injeções de administração semanal e a expansão de formulações orais. Na União Europeia, uma formulação oral de semaglutida para controlo do peso recebeu parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos em 2026. Outros tratamentos continuam em investigação, incluindo combinações com análogos da amilina e moléculas que atuam simultaneamente nos recetores de GIP, GLP-1 e glucagon, como a retatrutida. Estar em estudo não significa estar aprovado ou disponível.

Segurança e acompanhamento

Náuseas, vómitos, diarreia, obstipação, refluxo e desconforto abdominal estão entre os efeitos adversos mais frequentes. Há contraindicações, precauções e riscos que precisam de ser avaliados individualmente. A dose costuma ser aumentada gradualmente para melhorar a tolerabilidade.

A escolha depende da história clínica, do grau de excesso de peso, das doenças associadas, dos tratamentos anteriores, das preferências e da disponibilidade no país. Estes medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos, partilhados ou adquiridos sem orientação médica. Como a obesidade é uma doença crónica e recidivante, a duração do tratamento e o risco de recuperação do peso após a suspensão também devem ser discutidos.

As aprovações e indicações podem mudar. Uma consulta permite confirmar se existe indicação, selecionar uma opção adequada e acompanhar eficácia, efeitos adversos e saúde nutricional.

← Voltar aos artigos